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A História de um Sonho


Lucas trilhou um longo caminho para alcançar
o grande objetivo de sua vida: competir na Fórmula 1.


Lucas Tucci Di Grassi se encaixa bem no bordão que ficou popular nos últimos anos: “Sou brasileiro e não desisto nunca”. Nascido em 11 de agosto de 1984, em São Paulo, Lucas largou o segundo ano da Faculdade de Economia do Instituto de Ensino e Pesquisa (antigo IBMEC) para tentar a difícil carreira no automobilismo europeu. Na época, aos 19 anos, Di Grassi já era um jovem de talento amplamente reconhecido nos bastidores do esporte a motor brasileiro, mas a Europa era um desafio totalmente novo, especialmente por exigir recursos financeiros muito maiores.

Com vários títulos no kartismo e uma trajetória igualmente vencedora em corridas de automóveis do Brasil, Lucas mudou-se para a Inglaterra. Aquele país seria sua base para a disputa de alguns torneios importantes: o Campeonato Inglês e os badalados Marlboro Masters e Grande Prêmio de Macau, todos de Fórmula 3. Os resultados foram impressionantes para alguém que ainda estreava: melhor piloto com motor Renault em todo o mundo, Lucas cravou duas vitórias e se colocou entre os postulantes ao título britânico no prognóstico dos analistas especializados, sendo convidado para disputar o Masters e o GP de Macau justamente por seu desempenho.

Mas, no início daquele ano, Di Grassi obteve outra conquista importante. Participando de uma seletiva realizada pela equipe Renault F1 Team Ltd., o brasileiro foi um dos apenas cinco escolhidos para integrar o Renault Driver Development (RDD), o programa de desenvolvimento de jovens talentos do time francês. O apoio oferecia patrocínio praticamente integral para a temporada, mas teria que ser renovado a cada ano, após uma avaliação dos resultados do piloto. Longa e detalhada, essa avaliação realizada no final de cada temporada acabaria sendo um momento de grande tensão durante toda a fase européia da carreira do brasileiro, pois Lucas dependia do investimento da Renault para seguir adiante com seu projeto de chegar à Fórmula 1.

Em 2005, a Renault renovou sua aposta em Di Grassi, que já naquela temporada passaria a realizar testes com o carro de Fórmula 1 utilizado pelo novo campeão Fernando Alonso. Novamente, Lucas devolveu o voto de confiança com uma atuação à altura: melhor piloto com motor Renault na F-3 mundial pelo segundo ano consecutivo, Di Grassi foi terceiro colocado no Campeonato Europeu competindo com um equipamento nitidamente inferior. Como prêmio extra, Lucas foi novamente convidado para competir no GP de Macau, uma corrida cobiçada pelos pilotos de todo o mundo, que é disputada na pista considerada a mais difícil do mundo. Com um desempenho aplaudido nos bastidores do automobilismo, o brasileiro conquistou Macau, com duas estrelas da F-1 atual no segundo e terceiro lugares do pódio: o polonês Robert Kubica e o alemão Sebastian Vettel. Completando um ciclo de grande destaque, Lucas foi convocado pela Renault para trabalhar no desenvolvimento do novo carro da Fórmula GP2.

O Campeonato Mundial de Fórmula GP2 foi um capítulo à parte na trajetória de Lucas Di Grassi. Sua primeira temporada, em 2006, foi disputada pela equipe de menor expressão do grid, mas mesmo assim o brasileiro deixou sua marca ao conquistar dois recordes de melhor volta. A primeira temporada de sua carreira sem vitória serviu, no entanto, como aprendizado para 2007, quando Lucas seria vice-campeão, em uma campanha surpreendente. Nesta fase, Di Grassi já era mencionado em todos os veículos especializados como verdadeiro “Formula 1 material”, expressão em inglês que define alguém pronto para competir na categoria máxima. Não à toa, naquele ano Lucas também venceria o “Capacete de Ouro” (o Oscar do automobilismo brasileiro), a eleição de “Melhor Jovem Piloto Latino-Americano” (escolha feita por um painel de 50 especialistas do continente) e “Melhor Estilo de Pilotagem da GP2”, eleição promovida entre fãs de automobilismo de todo o mundo. Em 2007, entre demonstrações e testes, Lucas estaria ao volante do Renault F1 em 14 ocasiões.

A administração da equipe Renault F1 Team reconheceu o trabalho de Di Grassi renovando pelo quinto ano consecutivo seu contrato com o RDD (um recorde), e colocando o jovem brasileiro no posto de terceiro piloto, responsável também por testes com o carro. Ao todo, Lucas passou 25 dias ao volante do Renault F1, entre “shakedowns”, testes variados e apresentações especiais. Di Grassi também testou por dois dias o carro da equipe Honda. Na GP2, Lucas mostrou novamente ser uma estrela ascendente. Apesar de estrear apenas na sétima corrida do ano, foi terceiro colocado na temporada com três vitórias e seis pódios. Foi por isso eleito o melhor piloto do campeonato pelos fãs do automobilismo em todo o mundo, que votaram no site da categoria. Novamente, Di Grassi conquistou o “Capacete de Ouro” e foi escolhido como o “Melhor Jovem Piloto Latino-Americano”.

Lucas Di Grassi optou por continuar na GP2 em 2009 somente para se manter em evidência entre as equipes de F1. Já há muito tempo consagrado como um nome que todos veriam em breve na categoria principal, o brasileiro alcançou seu objetivo com folgas. Di Grassi novamente foi terceiro colocado na temporada, apesar dos problemas técnicos enfrentados por sua equipe na primeira metade do ano. A Renault manteve o brasileiro na posição de terceiro piloto e responsável pelos testes, e considerou Lucas para a vaga de piloto oficial para 2010. Com o fim do contrato com a equipe francesa, Lucas ficou livre para negociar seu passe com outros times. Simbolicamente, o acordo foi fechado com a Manor, o time com o qual Di Grassi conquistou Macau e que agora assumiu o nome de Virgin Racing.

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